Apêndice cecal: o que é, sintomas e diagnóstico por imagem

Por Procto em 02/06/2022
Apêndice cecal: o que é, sintomas e diagnóstico por imagem

Você certamente já ouviu falar sobre a apendicite ou conhece alguém que por algum motivo teve que retirar o apêndice. Mas saberia dizer o que é o apêndice cecal? Faz ideia de para que serve essa estrutura?

Também conhecido como apêndice vermiforme, apêndice ileocecal ou apêndice vermicular, se trata de uma pequena extensão do fundo cego do ceco, a primeira porção do intestino grosso. Anatomicamente, localiza-se no quadrante inferior direito (fossa ilíaca direita).

A inflamação dessa estrutura recebe o nome de apendicite, uma condição que acomete principalmente pessoas entre 10 e 30 anos, representando cerca de 90% dos casos de apendicite aguda.

Ao longo deste artigo você irá entender melhor o que é o apêndice cecal, qual a sua função, quais são os principais sintomas da apendicite e como é feito o seu diagnóstico e tratamento. Acompanhe.

O que é o apêndice cecal?

O apêndice cecal é um pequeno órgão (algo entre 5 e 10 cm) localizado na porção inferior direita do abdome (fossa ilíaca direita). Ele é parte do intestino grosso, mais precisamente do ceco, se comunicando com ele em fundo cego, ou seja, como uma via sem saída. 

Muito se discute ainda a respeito de sua função, afinal, por diversas vezes, devido a casos de apendicite, é necessária a sua remoção. Contudo, não há clareza, pelo menos por enquanto, a respeito disso. Ao que parece a estrutura tem uma função residual relacionada ao sistema de defesa do organismo, o chamado sistema imunológico. Em alguns animais ela cumpre um papel importante na digestão dos alimentos. 

Normalmente, o apêndice cecal é difícil de ser visualizado através do exame de ultrassom por causa de seu pequeno diâmetro e de sua cavidade virtual. Tornando-se mais evidente em casos de processos inflamatórios, devido a presença de alterações no órgão, dentre elas o aumento da sua dimensão e a presença de um abscesso periapendicular. Nos Estados Unidos, o exame de escolha como padrão ouro para o diagnóstico de apendicite aguda é a Tomografia Computadorizada de Abdome, deste modo, reforçando que os exames de imagem apresentam o seu papel no diagnóstico da apendicite, como veremos adiante. 

Sintomas de apendicite

Como vimos, a apendicite, ou seja, a inflamação do apêndice cecal, pode ser diagnosticada através de exames de imagem como o ultrassom ou tomografia computadorizada. Contudo, o primeiro passo para a suspeita da condição, que leva a análise por meio de exames, é o aparecimento de seus sinais e sintomas. Sendo que os mais, comumente, encontrados são:

  • Mal-estar 
  • Náuseas
  • Cólicas abdominais
  • Perda do apetite
  • Dor abdominal difusa que progride para dor localizada na região do apêndice (porção inferior direita do abdome)
  • Prostração
  • Febre (geralmente, em casos de apendicite supurada)

Quando não há intervenção, o quadro pode evoluir para uma peritonite difusa, caracterizada pela contaminação de toda a cavidade abdominal. Quando isso acontece o paciente apresenta dor abdominal difusa e intensa, que se acentua realizando movimentos, e deste modo, levando os paciente a manterem-se numa posição antálgica, caracterizada por uma posição fetal. 

O que causa inflamação do apêndice cecal?

As causas da apendicite ainda não estão claras. Sabe-se, porém, que há uma obstrução da luz do apêndice cecal, que pode ser causada por fezes, corpos estranhos ou por algum tipo de infecção, que leva a uma resposta inflamatória capaz de inchar a estrutura ocasionando obstrução de sua luz. 

O diagnóstico seguido do tratamento adequado é indispensável, pois há risco de ruptura do órgão e, como consequência, de uma infecção mais grave que produz risco à vida. 

Sendo assim, diante da suspeita de inflamação do apêndice cecal, não deixe de procurar ajuda médica. 

Diagnóstico por imagem da apendicite

Assim que perceber os sintomas da apendicite, procure atendimento médico de urgência. O diagnóstico precoce da condição evita complicações que, como vimos, podem se tornar fatais.

Embora o exame físico, que se atentará ao padrão da dor abdominal, seja importante, bem como a história da doença relatada pelo paciente, os exames de imagem são determinantes para a comprovação da apendicite.

Os exames complementares serão úteis para diferenciar as causas de dor abdominal, excluindo outras condições, como doenças inflamatórias dos ovários e tubas, infecção urinária, cálculo ureteral e gravidez, contribuindo para o fechamento do diagnóstico.

Esses exames são importantes não apenas para casos típicos da doença, mas principalmente para situações clínicas atípicas ou de progressão arrastada, que podem causar dificuldades no diagnóstico e retardar o tratamento.

Geralmente o ultrassom é requerido primeiro para confirmação da suspeita. Porém, caso isso não seja possível, o médico pode lançar mão da tomografia, que permite caracterizar melhor o apêndice.

Tratamento da apendicite

O primeiro passo para um tratamento efetivo está em suas mãos. O processo diagnóstico tem início com a percepção do paciente de que algo está errado seguido da procura pelo médico para investigação.

O único tratamento definitivo, em todos os casos de apendicite, é a apendicectomia, seja por via laparoscópica ou laparotômica. Devido a intervenção tardia, o cirurgião encontra, em muitos casos, complicações intraoperatórias como: aderências ao epíplon, íleo, ceco, parede abdominal, anexos uterinos e alças intestinais, abscessos, fibroses, plastrões e bloqueios.

Apesar da cirurgia minimamente invasiva, através da videolaparoscopia ou da cirurgia robótica, se destacarem como a melhor forma de tratamento empregada, devido a menor incisão, menor risco de infecção do sítio cirúrgico, melhor limpeza da cavidade abdominal, menor risco de abscesso de cavidade abdominal, menor risco de hérnia incisional, melhor efeito estético e recuperação pós-operatória mais rápida, em algumas situações a cirurgia aberta deverá ser empregada. E isto se deve, principalmente, a fatores relacionados as más condições clínicas do paciente, indisponibilidade de materiais e inexperiência do cirurgião.

Embora o tratamento definitivo seja cirúrgico, em algumas situações, normalmente, quando existentes complicações, algumas formas de tratamento clínico deverão ser empregadas, como antibioticoterapia, suporte nutricional e cuidados com as feridas ou drenos (quando necessários). 

Por isto, ao notar os sinais e sintomas de apendicite, entre em contato e marque a sua consulta com urgência, pois o diagnóstico e tratamento precoces podem evitar diversas complicações ou, inclusive, salvar a sua vida!

Dr. Alexandre Nishimura é cirurgião geral e coloproctologista e está pronto para te auxiliar nos tratamentos clínicos e cirúrgicos da apendicite.

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